PIBmaníacos: O crédito na monetização dos valores humanos e desenvolvimento social

Todos sabem que PIB é o acrônimo para Produto Interno Bruto, mas estes três letras vem se afirmando quase como uma imagem, um ícone com o qual é feita a identificação imediata, sem a reflexão sempre salutar, o que o leva a contornos, se não messiânicos, a ser uma espécie de panaceia econômica e lastro de qualquer medida social. Parte influenciada pela mídia, e outra pela ignorância e falta de interesse do homem comum (segundo definição do filósofo Arthur Schopenhauer), a noção de que o crescimento do PIB vai melhorar tudo, desde políticas públicas essenciais até nosso bem-estar interno, vem se fortalecendo idioticamente. Basta assistir a qualquer noticiário para vermos as três letras mágicas associadas a gráficos hipnotizantes para identificarmos aí um potencial de redenção do país, ou, sua falência.

Entram na conta do PIB os bens, serviços, investimentos privados e governamentais e não ponho em discussão a estreita relação dele com o desenvolvimento econômico, apenas considero a importância de debates e reflexões sobre o tema, afinal é uma medida aplicada à ciência econômica e tem sua relevância devida. Sendo uma índice da atividade econômica de um país, se baseia na circulação do dinheiro e neste viés pode levar à tendência da monetização, criando silogismos falaciosos do tipo: “se construirmos mais hospitais logo melhoraremos a saúde”, ou, “se aumentarmos os salários dos professores teremos uma educação de melhor qualidade”. Ora, o dinheiro é vital para viabilizar qualquer projeto mas antes é valor simbólico de crédito, no sentido de acreditar que aquela cédula, moeda de metal, cheque ou um retângulo de plástico chipado tem valor e pode ser trocado por alguma coisa necessária.

Além do PIB (ideia do economista Simon Kuznets), há outros índices de medida como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o Coeficiente de Gini, que quantifica a desigualdade social, e até o exótico FIB (Felicidade Interna Bruta). A ciência, de uma forma geral, se vale de quantificações como base de sua interpretação do mundo e as Ciências Econômicas utilizam a matemática, instrumentalizando os governos para tomadas de decisões políticas. Mas um mundo com novos desafios se descortina diante dos olhos de todos, e isto exige a derrubada de deuses antigos e a invenção de novos. Afinal, como ficou provado ao longo da história humana: “em Deus nós confiamos!”