Sub-ocupação mascara índices de desemprego no interior dos estados brasileiros

Desemprego observado no interior dos estados brasileiros teve menor intensidade, revelam dados extraídos da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). As notícias sobre o resultado da pesquisa foram divulgadas no site oficial do IBGE (Instituto Nacional de Geografia e Estatística) em março de 2019. De acordo com a pesquisa, a taxa de desocupação em cidades do interior dos estados é menor em comparação com a região metropolitana e capitais dos 21 estados avaliados.

Os dados desta pesquisa são referentes ao período do quarto trimestre de 2018. Os estados do Mato Grosso do Sul, Roraima e Acre tiveram taxas de desocupação maior no interior do estado, e índices menores nas capitais e regiões metropolitanas. De todos os estados brasileiros envolvidos na pesquisa, Bahia foi o único estado que manteve a taxa igual tanto no interior quanto na capital.

A pesquisa conseguiu verificar que existe uma relação inversamente proporcional da taxa de desocupação quando ela é comparada com o interior dos estados brasileiros e com suas capitais e região metropolitana. Também foi verificado que o desemprego no Brasil é bem maior em regiões metropolitanas e nas capitais, o que tende a jogar os índices de desemprego para cima na maioria dos estados avaliados.

No Amazonas, a taxa de desocupação no interior do estado teve variação média de 9,1% enquanto que a taxa teve oscilação média de 14,4% em todo o estado, a maior diferença entre as variações médias observada. Espírito Santo teve variação de 8,2% no interior e de 10,2% em todo o estado. Em terceiro lugar aparece o estado de Rondônia, com variação média na taxa de desemprego de 7,2% no interior e de 9% em todo o estado. No estado de São Paulo, a variação foi de 10,8% para 12,4% entre o interior e o estado.

“O desemprego no interior dos estados brasileiros tende a ser menor, porém, a taxa de sub-ocupação no interior é maior. Existem mais pessoas concentradas na força de trabalho potencial no interior dos estados, algo que influencia diretamente nos índices de desemprego mensurados. De certa forma, esses números menores de desemprego são mascarados pela sub-ocupação. Devido a isso, é necessário que políticas públicas sejam desenvolvidas de forma diferente para que os índices de sub-ocupação sejam reduzidos”, explica Cimar Azeredo, responsável pela coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.