Divisão de férias escolares no estado de São Paulo divide opiniões

A divisão de férias escolares anunciada pelo governo do Estado de São Paulo dividiu as opiniões de educadores e de especialistas em educação. O anúncio realizado pelo governador João Doria no dia 26 de abril de 2019, especifica que as férias escolares poderão ser divididas em quatro período diferentes a partir do ano de 2020. Embora a divisão pareça impactar na educação dos estudantes, o governador garantiu que a mudança tem como objetivo melhorar o aprendizado, sem que o descanso interfira nos 200 dias letivos que devem ser cumpridos por ano.

Mesmo com o argumento de que a mudança melhoraria o aprendizado, diversos professores questionaram se essa mudança realmente é necessária, assim como se há uma eficiência comprovada sobre o desempenho escolar dos estudantes. Ainda neste ano, as escolas estaduais de São Paulo funcionam com os dois períodos de férias, como ocorre em outras regiões do país, sendo 15 dias de descanso em dezembro e os dois meses completos de descanso em janeiro e julho. Esses períodos estão relacionados apenas às férias, sem considerar os feriados e recessos que acontecem ao longo do ano.

A mudança proposta por João Doria quer encurtar as férias de dezembro para a véspera do Natal, enquanto que em julho poderá ser retirado outros 15 dias de férias. Esses dias retirados deverão ser distribuídos em abril, próximo ao feriado de Tiradentes, e em outubro, próximo ao feriado de Nossa Senhora Aparecida (Dia das Crianças).

De acordo com as notícias informadas pela Secretaria da Educação, o objetivo principal desta mudança é melhorar o desempenho escolar dos estudantes. No entanto, essa justificativa foi rebatida por docentes que consideram que os meses de férias inteiros não prejudicam o aprendizado dos estudantes.

A pedagoga e também docente na Universidade de São Paulo, Silvia Colello, afirmou sobre a mudança proposta por João Doria: “Mudar o período de férias dos estudantes não deveria ser a pauta atual da pedagogia. Acredito que essa mudança não impactará nem de forma benéfica ou maléfica para o ensino, pois o aprendizado depende unicamente da qualidade do ensino nas escolas”.

O governo de São Paulo também utilizou como argumento para a modificação do período de férias os exemplos dados por outros países, tais como Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, Nova Zelândia, Canadá, entre outros. Nestes países, as férias são divididas em quatro ou mais vezes. No entanto, os docentes brasileiros acreditam que essa divisão não deve ser empregada no Brasil, pois nestas regiões há uma real necessidade por conta das estações do ano, enquanto que no Brasil essa necessidade não existe.